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Projetos de Pesquisa


Clonagem e expressão heteróloga de lípases psicrófilas codificadas pelas bactérias marinhas de profundidade Erythrobactercitreus e Marinobacterexcellens.

Coordenador: André Oliveira de Souza Lima (Univali).

B Lípases são enzimas de ampla aplicação industrial/comercial - detergentes, alimentos, síntese orgânica, transesterificação de biodiesel, etc. Devido a heterogeneidade das condições em que são empregadas, lipases com características diferenciadas, como por exemplo, psicrófilas são de relevância biotecnológica. No presente projeto objetiva-se avançar no desenvolvimento tecnológico de lipases ativas em baixas temperaturas. Para tanto, serão empregadas ferramentas de análise genômica e de engenharia genética. Estas permitirão de maneira estratégica e inovadora no país, prospectar nas bactérias marinhas de profundidade MarinobacterexcellenseErythrobactercitreusgenes de lipases psicrófilos e expressá-los em Escherichia coli.

As duas espécies marinhas, previamente isoladas (3.600 a 5.000m profundidade, Atlântico Sul) por nosso grupo, se destacaram por serem produtoras de lipases ativas a baixa temperatura. Desta forma, seus genomas completos foram sequenciados e, na presente proposta, serão triados por ferramentas de bioinformática (CLC Genomics Workbench) para a seleção dos genes codificantes das lipases psicrófilas.

Pelo menos uma lipase (triacilglicerol lipase) de cada organismo será selecionada, segundo os critérios: gene deve estar completo, similaridade com lipases psicrófilas, preferência por genes menores. Uma vez estabelecido o alvo, serão desenhados primers específicos para cada, os quais viabilizarão sua amplificação (PCR) e, posterior clonagem em vetor de expressão (pBADMycHisB) e introdução em células de E. coli quimiocompetentes.

As bactérias lipolíticas recombinantes serão evidenciadas por meio de halo de degradação em placas (Tween 20). Por fim, as duas lipases produzidas serão avaliadas quanto a temperatura ótima de atividade (p-nitrofenilpalmitato). Como produto, espera-se a obtenção e caracterização parcial de duas novas lipases psicrófilas que venham atender a demanda do mercado. 

Prospecção e clonagem de proteases a partir de dados metagenômicos de sedimento de oceano profundo - Atlântico Sul.

 

Proteases são enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos. Essas representam 40% das enzimas industriais comercializadas, sendo empregadas na produção de detergentes, alimentos, fármacos, couro, bioconversão de pescados, etc. Dependendo da aplicação é necessário que sejam ativas sob condições extremas (temperatura, pH, pressão, etc.). Assim, a prospecção de enzimas mais adaptadas é de relevância econômica. Devido às características extremas do oceano profundo, bactérias marinhas deste ambiente se destacam como reservatório de enzimas com características diferenciadas e pouco conhecidas.

Neste contexto, objetiva-se no presente projeto a prospecção e clonagem genes ativos de proteases bacterianas de profundidade, a partir de amostra de sedimento previamente coletada (4.200m, Platô São Paulo - Atlântico Sul) com o submersível tripulado Japonês - Shinkai 6500. Para tanto, serão triados dados metagenômicos ou de DNA ambiental (1Gb), os quais permitem acessar tanto os genes de organismos cultiváveis como não-cultiváveis.

Para a identificação dos genes de proteases serão realizadas etapas de bioinformática (software: CLC Genomics Workbench): limpeza dos dados (trimming), montagem dos contigs (Denovoassembly), predição de genes (ORF finder), tradução de proteínas e anotação dos genes (Blastp). Dentre os genes de proteases completos identificados, três serão selecionados (critérios: tamanho, comércio, novidade) para desenho de primers, amplificação (PCR), clonagem em vetor (pBADMycHisB) e expressão em Escherichia coli Top10.

Os clones recombinantes ativos serão reconhecidos por ensaio qualitativo em placa, sendo o plasmídio extraído e sequenciado. Como produto, espera-se que a combinação da eficiência da metagenômica aliada a biodiversidade do ambiente marinho profundo, viabilizem a obtenção de proteases diferenciadas e de relevância biotecnológica.

Análise Comparativa do processo de Gestão e Governança de Praias Urbanas entre Brasil e Uruguai

A Gestão Ambiental é o processo de articulação das ações de distintos atores sociais que interagem em certo espaço objetivando garantir a adequação dos meios de exploração dos recursos ambientais naturais, econômicos e sócio-culturais às especificações do meio ambiente, baseada em princípios e diretrizes previamente definidos (LANNA, 1996).

Traduz-se como uma atividade política que aponta para a formulação de princípios e diretrizes, para a estruturação de sistemas gerenciais e para a tomada de decisões que têm por objetivo final a promoção do inventário, uso, controle, proteção e conservação do ambiente, de forma ordenada, tendo como escopo alcançar o objetivo estratégico do desenvolvimento sustentável (LANNA, op cit).

No que se refere a gestão de praias, esta pode ser compreendida conforme Bird (apud MICALLEF & WILLIANS, 2002) como o processo que procura manter ou melhorar uma praia como recurso recreacional e como meio de proteção costeira fornecendo facilidades que atendam às necessidades e aspirações daqueles que a usam. Isto inclui a elaboração e o policiamento de quaisquer regulamentos e decisões indispensáveis sobre o modelo e a localização de quaisquer estruturas necessárias para facilitar o uso e o desfrute do ambiente praial.

Percebe-se que com o crescente tempo de lazer e o aumento das expectativas de qualidade, a gestão de praias e recreação relacionada ao banho torna-se um componente cada vez mais importante na área do gerenciamento costeiro integrado (MICALLEF & WILLIANS, 2002), se diferenciando deste último principalmente por possuir uma particular referência à gestão pragmática local (MICALLEF, WILLIAMS, et al, 2009). Mostra-se importante a incorporação dos princípios de sustentabilidade na gestão dos destinos turísticos maduros, uma adequada valorização das praias que estime o custo de oportunidade de seus usos e sua capacidade de carga e o estabelecimento de mecanismos de gestão baseados na qualidade e no meio ambiente (YEPES, 2005).

Neste contexto estão a praia Central de Balneário Camboriú no Brasil e as praias localizadas em Montevideo – Uruguai. Balneário Camboriu é um município costeiro, predominantemente urbano situado no litoral Centro- Norte de Santa Catarina cuja economia depende basicamente do setor terciário relacionado às atividades turísticas, responsável por 99,2% da economia municipal, além dos setores da construçãuguo civil e imobiliário. Segundo IBGE (2010) os 463 municípios da zona costeira possuem 17,4 milhões de domicílios, dos quais 9,2% são de uso ocasional (usado para descanso de fins de semana, férias ou outro fim). Esse percentual nos outros municípios é de apenas 4,6%. A proporção é ainda maior em cidades como Balneário Camboriú (SC), onde 30,3% dos domicílios são de uso ocasional.

Com uma extensão territorial de 46 km² e uma população residente de 108. 089 habitantes (IBGE, 2010) é o município do estado com a maior densidade populacional, 2.349 habitante/km². A cidade apresenta ainda um alto índice de crescimento populacional e, além disso, recebe a cada verão mais de 700.000 turistas (SKALLE & REIS, 2008).

O rápido crescimento urbano experimentado desde a década de 1970 sem o efetivo processo de planejamento integrado pela ausência de um projeto coletivo de cidade, dada a fragilidade dos planos e formas de controle existentes, legaram inúmeros problemas e conflitos urbanos e ambientais, tais como a degradação de ecossistemas naturais, a contaminação dos rios e mar, a falta de infra-estrutura de saneamento e ao trânsito caótico nos meses de veraneio (SKALEE & REIS, op cit).

Segundo Bombana (2010), a existência de diversos conflitos e problemas nas praias deste município, como é a viabilização por parte da prefeitura da apropriação deste espaço público por pequenos grupos da população; a importância de um número alto de instituições nos processos de gestão praial denotado pela diversidade de atividades e serviços já prestados no local; e a necessidade de formalidade de tais serviços e atividades, além da inserção de outros capazes de influenciar positivamente a sua qualidade socioambiental leva a buscar um caminho de Gestão de Praias formalmente estabelecido e aceito ora, pela implementação de um SGA baseado na já existente NBR IS0 14.001: 2004 ora, pela implementação de um SGA baseado na Norma de Sistemas de Gestão Ambiental para praias em processos de estruturação.

Montevidéu, por sua vez, iniciou a transformação da paisagem da sua costa desde o final do Séc. XIX de onde esta passaria do pouco uso à plena ocupação, acondicionada para o turismo e a recreação. No início do Séc. XX a paisagem balneária iniciou sua segunda transformação através da construção das ramblas que margeiam a cidade. Seguido a isso, já em 1917, “La Comisión de Playas de La Junta” apresentou o Ordenamento de Praias com o objetivo de regulamentar a conduta dos usuários e concessionários, o qual foi melhorado ao longo do tempo inclusive sendo substituído por outro mais flexível no ano de 1944 adequando as instalações ao processo de modernização que vinha acontecendo nos comportamentos sociais (PASTORIZA, et al, 2002).

Tais transformações operadas na estrutura da capital uruguaia, coincidentes com uma importante expansão urbana, influenciaram na formação da sua fisionomia e a converteram em um atrativo centro turístico regional (PASTORIZA, et al, op cit). Até os dias atuais, as finas areias brancas e as águas calmas do Rio da Prata são o principal atrativo de Montevidéu, todas aptas para banho espalhando-se ao longo dos 30 km da orla e sendo a área de costa socializada mais extensa da América (IMM, 2011a) ligada a uma população residente de 1.325.968 pessoas, o que concentra mais de 40% da população uruguaia (INE, 2004).

Adicionalmente, um terço dos turistas que chegam a este país ingressa por Montevidéu que também é cidade com inumeráveis atividades culturais e desportivas tanto diurnas como noturnas. As praias em si e por conseqüência de uma adequada gestão além de todas aptas para banho, contam com serviço de guarda-vidas e vigilância que permite o desfrute tranqüilo das mesmas por parte dos turistas e moradores. Vale ressaltar que as principais praias de Montevidéu são Pocitos, Carrasco, Malvín e Cerro, podendo ser desde tranqüilas até de alta procura para o lazer (MTD, 2011). 

Assim, configurando ambas as cidades de Balneário Camboriú e Montevidéu como localidades que possuem como seu principal produto as praias integradas ao desenho urbano.

Entretanto, cabe destacar que Montevidéu foi a primeira capital do mundo a alcançar, em fevereiro de 2005, uma certificação ISO 14.001 pela Gestão Ambiental das Praias de Pocitos, Malvín, Buceo e Ramirez. Atualmente, a Praia de Los Ingleses também está incorporada no alcance do sistema. Apesar de possuir cinco praias certificadas, o Sistema de Gestão Ambiental se aplica a todas as praias desta cidade e tal certificação inclui operativamente a gestão de limpeza; saneamento; guarda-vidas; controle de qualidade de água; atividades recreativas; atividades comerciais e atividades desportivas (IMM, 2011a).

Os pontos objetivados pelo SGA são de consolidar o desenvolvimento sustentável na zona costeira de Montevidéu, através de certificações de qualidade ambiental; continuar com o processo de implementação do Sistema de Gestão Ambiental que atualmente vem se desenvolvendo nas praias de Montevidéu; contribuir para garantir padrões ambientais que protegem a saúde humana e; manter boas relações públicas e comunitárias (IMM, op cit).

O modelo de governança de praias em Montevidéu, assim como em Balneário Camboriú, deve ser apoiado nos três pilares da Sociedade Civil Organizada, da Iniciativa Privada e do Governo. Este último é representado na gestão de praias montevideana pelo Departamento Responsável de Desenvolvimento Ambiental, além dos demais envolvidos Departamentos de Cultura, de Planejamento, de Descentralização, de Desenvolvimento Econômico e Integração Regional, de Acondicionamento Urbano, de Desenvolvimento Social e de Recursos Humanos. Em conjunto, tais pilares estão conjuntamente concebidos em um Comitê Participativo do SGA de suas praias, apoiado na própria Política Ambiental desta iniciativa (IMM, 2011b).

Já em Balneário Camboriú, pensando na aplicação da gestão praial, o arcabouço de atores possivelmente necessitará ser composto pelos órgãos da própria prefeitura, por representantes das esferas estadual e nacional implicados na administração destes espaços ambientais públicos, assim como associações da população, organizações não governamentais e empresas implicadas nas atividades municipais, sendo também iminente o desenvolvimento de um Comitê Participativo à exemplo de Montevidéu.

Tendo a iniciativa da capital uruguaia como modelo ao se considerar as praias como espaços públicos nos quais confluem diversos interesses socioambientais e econômicos, e onde a importância de manutenção de sua qualidade é freqüentemente subestimada pelas esferas do governo, iniciativa privada e sociedade civil, geralmente não integradas, acarretando em problemas e conflitos de uso e ocupação do solo no espaço praial. Existe a necessidade, baseada no exemplo de Montevidéu, de entender a estrutura e os processos de regularização dos serviços e atividades existentes, assim como a articulação inter e intrainstitucional atuantes nestes locais.

A análise comparativa dos diferentes processos de desenvolvimento da norma no Uruguai poderá contribuir para o desenvolvimento de um sistema de governança e gestão de praias no Brasil a fim de potencializar o papel de cada ator social neste complexo ambiente. Sendo Balneário Camboriú um município onde a estrutura institucional existente na prefeitura considerada adequada ao modelo de gestão e governança de praias, a presente proposta passa a ser um caminho para integrar idéias, auxiliar nas relações de causa e efeito de entendimento dos processos que antecedem e sucedem o veraneio, e ainda tende a auxiliar a criar um clima amigável entre instituições que podem auxiliar no incremento da economia local, assim como influenciar na conservação ambiental e na qualidade cotidiana de vida da população residente e flutuante. 

Risk, perception and vulnerability to Climate Change in wetland-dependent coastal communities in the Southern Cone of Latin America 

The global population affected by coastal flooding and other extreme climatic events will increase dramatically in the next decades, resulting in a growing need for adaptation.

On the Atlantic coast of southern Brazil and eastern Uruguay, low-lying coasts are highly vulnerable to climate variability and extreme climatic events, and these effects are expected to cause substantial modifications of the ecosystems’ resources and social issues, because societies lack capacity to deal with these scenarios.

We selected three study sites in Brazil and Uruguay (Valle de Itajai, Estuary of Lagoa dos Patos and Laguna de Rocha) to develop a comparative risk assessment and risk perception analysis, concerning the effects of climate change on ecosystem services and communities.

The goal is to contribute to develop resilience to Climate Change in coastal wetland ecosystems and communities of the Atlantic Southern Cone of Latin America threatened by extreme climatic events, and to improve recognition of the role of ecosystem services in coping with these forces.

A comparative risk/risk perception analysis at the three sites will allow developing a regional meta-analysis, to understand the link between social vulnerability to Climate impacts and the social perception of the risk, as well as the relevance of ecosystem services in this context. Information gathered will be valuable to coastal communities, organizations and governments dealing with coastal issues.

Simultaneously, capacity building and dissemination activities with local stakeholders will allow to widespread lessons learned, best practices and regional recommendations for improving and strengthening public policies on climate change adaptation.

Projeto de Monitoramento Ambiental na Área de Abrangência do Porto de Itajaí

O Projeto de Monitoramento Ambiental na Área de Abrangência do Porto de Itajaí é o exemplo da interdisciplinaridade do programa sendo composto pelos seis programas enumerados abaixo, aos quais diversos sub-projetos estão vinculados:

  1. Programa de Monitoramento da Qualidade da Água do Rio Itajaí na Área de Influência do Porto de Itajaí.

  2. Monitoramento da Dragagem do Porto de Itajaí.

  3. Monitoramento Ambiental da Qualidade do Sedimento do Estuário do Rio Itajaí-Açu e Região Marinha Adjacente.

  4. Monitoramento da Qualidade do Ar e Ruído no Porto de Itajaí.

  5. Desenvolvimento do Sistema de Informações Ambientais.

  6. Avaliação de Risco e Introdução de Espécies Exóticas no Porto de Itajaí e Entorno por Meio de Água de Lastro.

Análise de Riscos Costeiros a Eventos Atmosféricos Extremos/Rede Riscos Costeiros (Projeto financiado pela CAPES)

Na costa brasileira, principalmente na sua porção sul e sudeste, as variações extremas de nível d’água estão associadas a ondas de tempestades e influenciam diretamente na configuração física e na estabilidade dos ambientes costeiros. Estes fenômenos ocorrem durante a passagem de sistemas atmosféricos intensos (frentes polares atlânticas e ciclones extratropicais). A sobre-elevação associada com as ondas, faz com que sejam potencializados os processos de inundação e erosão, provocando destruição de construções e infra-estruturas localizadas na orla. Entre 2000 e 2003, estes eventos deixaram nove municípios em situação de emergência e um prejuízo de 12 milhões de reais em Santa Catarina. Somado a este fato, estudos das variações do nível d’água associado às marés meteorológicas entre 1960 e 1980 sugeriram uma tendência de incremento deste para a região sudeste do Brasil, o que amplificaria o poder de inundação/erosão dos processos costeiros no contexto das mudanças globais.

Adicionalmente, em março/2004 o evento Furacão Catarina, formou-se no Atlântico Sul e moveu-se para oeste causando grandes destruições na região. No âmbito acadêmico, desde 1970 grupos associados a universidades do sul e sudeste do Brasil vêm se dedicando ao entendimento das modificações dos sistemas praiais devido a eventos climáticos extremos. Muito embora estudos tenham sido desenvolvidos, não existiu uma padronização e sistematização de metodologias e equipamentos para aquisição e tratamento de dados, nem a disponibilidade e compartilhamento das informações produzidas. A fim de contribuir para um equacionamento destas questões os programas de pós-graduação em Oceanografia Química e Geológica (USP) e Ciência e Tecnologia Ambiental (Univali), Geociências (UFRGS) e Oceanografia Física, Química e Geológica (FURG) se propõem a desenvolver ações conjuntas para fomentar a obtenção, padronização, sistematização, armazenamento e disponibilização dos dados e estudos dos ambientes costeiros da região sudeste e sul do Brasil.

Estudo da Viabilidade Ambiental de se Aplicar Lodos Agro-Industriais nos Solos de Áreas Degradadas pela Mineração para Posterior Reflorestamento com Espécies Nativas (Projeto financiado pelo CNPq)

A região sul de Santa Catarina apresenta extensas áreas de solos degradados pelas atividades do ramo carbonífero, sendo que o mau uso do solo acarreta danos graves sobre os ecossistemas, com a consequente degradação da qualidade das águas. Por outro lado, nos processos de tratamento primário e secundário dos efluentes é gerado o lodo, um resíduo semi-sólido. O lodo agro-industrial pode ser aplicado como suplemento no solo pela reciclagem de matéria orgânica e nutrientes, possibilitando a recuperação dos solos degradados para fins de reflorestamentos. Esta prática de reaproveitamento deve ser realizada de tal forma que não cause efeito adverso no meio ambiente.

Neste contexto, o objetivo deste trabalho é o de desenvolver tecnologias de estabilização/compostagem de lodos agro-industriais com posterior avaliação do potencial condicionante/fertilizante do lodo agro-industrial em solos degradados da região carbonífera do sul de SC. Esta avaliação será baseada em um estudo físico-químico e ecotoxicológico do lodo e do respectivo lixiviado. Também será realizado um estudo agronômico do potencial fertilizante para espécies nativas, de forma concomitante com avaliação da atividade microbiana da mistura lodo-solo. As metodologias dos ensaios serão baseadas em procedimentos/normas internacionais (ISO, AFNOR e USEPA) e nacionais (ABNT, CETESB, EMBRAPA).

Com os resultados obtidos espera-se:

  • Determinar o tempo e as condições de estabilização/compostagem para que o lodo agro-industrial deixe de ser ecotóxico;

  • determinar a quantidade de lodo a ser misturado com o solo degradado para obter um rendimento vegetal ótimo e que não provoque danos ambientais sobre a qualidade das águas;

  • determinar quais as espécies vegetais que são mais adequadas para o reflorestamento das áreas degradadas;

  • avaliar a evolução física e bioquímica das espécies vegetais usadas no reflorestamento. Isto fornecerá dados para que os órgãos ambientais (estadual e municipais), indústrias e sociedade civil possam mitigar os impactos ambientais gerados pelas atividades relacionadas com o extrativismo, industrialização e uso do carvão (principalmente a deposição das cinzas do carvão), melhorando assim a produtividade do solo e a qualidade dos recursos hídricos e do ar na região afetada por esta atividade comercial/industrial.

MAR-ECO Atlântico Sul (Patterns and Process of the Ecossystems of the Southern Mid-Atlantic)

Projeto financiado pelo consórcio formado pela: Alfred Peter Sloan Foundation (Census of Marine Life), International Centre for Genetic Engineering and Biotechnology (ICGEB), Marinha do Brasil (MB), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O projeto MAR-ECO Atlântico Sul tem o objetivo de estudar a diversidade biológica associada à cordilheira meso-oceânica do Atlântico Sul e cadeias adjacentes de montanhas submarinas, feições proeminentes desse oceano e que exercem forte influência nos padrões de circulação e distribuição da vida marinha profunda.

Este projeto foi concebido no âmbito do projeto MAR-ECO (Patterns and Process of the Ecossystems of the Northern Mid-Atlantic) que estudou, como parte do programa Censo da Vida Marinha, os padrões de diversidade e processos ecológicos associados à cordilheira meso-oceânica do Atlântico Norte. O projeto MAR-ECO Atlântico Sul tem sido coordenado pelo Dr. José Angel Alvarez Perez (Universidade do Vale do Itajaí) e conta com a participação de 33 cientistas de 9 instituições de pesquisa nacionais e 7 estrangeiras. O primeiro cruzeiro de pesquisa ocorreu em novembro de 2009 em parceria com Instituto Shirshov de Oceanologia (Rússia).

A bordo do Navio Oceanográfico Akademik Ioffe, foi realizado um percurso ao longo da cordilheira meso-oceânica do Atlântico Sul e coletado inúmeras amostras de fauna bentônica e pelágica de mar profundo. Em 2010-2011 os resultados preliminares começaram a ser divulgados incluindo 1.120 registros de organismos com destaque para 175 espécies de peixe, 50 cefalópodes e mais de 200 espécies de invertebrados bentônicos (Ascidiacea, Annelida, Porifera, Crustacea, Mollusca e outros grupos).

Veja também:

MAR-ECO
Programa Census of Marine Life

Entrevistas:

Jornal Nacional – Globo
Ciência Hoje (SBPC) 

Inovação e Interdisciplinaridade Aplicadas à Gestão e ao Desenvolvimento Sustentável da Indústria Pesqueira Marinha das Regiões Sudeste e Sul do Brasil – IGEPESCA (Projeto financiado pela CAPES)

O panorama recente da pesca marinha industrial do sudeste-sul do Brasil tem sido caracterizado por um cenário de crise fomentado pela (a) disputa entre diferentes frotas por poucos recursos ainda produtivos, (b) manutenção destes recursos em níveis biologicamente perigosos, (c) geração de novos processos de sobrepesca entre os recursos de áreas profundas e (d) perspectiva de efeitos decorrentes das alterações na estrutura das comunidades pelágicas e demersais. Sobrecapitalizada, a indústria pesqueira espera da gestão atual soluções baseadas na manutenção de subsídios e num nível de permissividade que garanta sua estratégia de sobrevivência.

Cientistas avaliam esta estratégia não apenas como ambientalmente perigosa, mas economicamente contraprodutiva devido às chances de incremento da sobrepesca e da degradação ambiental. Por outro lado, o modelo atual de gestão pesqueira apresenta-se ultrapassado e incapaz de promover o necessário reordenamento do sistema. Caracteriza-se assim um impasse de natureza ambiental, tecnológica, econômica, política e social em torno da atividade pesqueira, cuja dissolução evidencia a necessidade de uma análise ampla e interdisciplinar. A reformulação de gestão pesqueira do Brasil requer a superação de obstáculos impostos pela carência de conhecimento, de dados primários, de ferramentas metodológicas nas várias disciplinas em questão e de recursos humanos capacitados a atuar na gestão como um todo.

Sendo assim, o presente projeto tem como objetivo geral promover o uso sustentável dos recursos pesqueiros e dos ambientes de plataforma continental e talude do sudeste e sul do Brasil, mediante a formação de recursos humanos qualificados e incorporação de ferramentas interdisciplinares de coleta, processamento e análise de informações ambientais, pesqueiras, econômicas e tecnológicas que dêem suporte a iniciativas de gestão, focadas tanto nas espécies-alvo como nos seus respectivos ecossistemas. Seus objetivos específicos são:

  • fortalecer e ampliar os sistemas de monitoramento da pesca industrial disponíveis no sudeste e sul do Brasil, visando maximizar a obtenção e utilização de informações ambientais, pesqueiras, econômicas e tecnológicas relevantes à gestão e à sustentabilidade da atividade pesqueira;

  • integrar as informações em sistemas de informação georreferenciada construídos para suportar análises interdisciplinares voltadas à pesquisa e à gestão da atividade pesqueira industrial do sudeste e sul do Brasil;

  • desenvolver e propor estratégias de investigação, explotação, aproveitamento e gestão dos recursos pesqueiros marinhos aplicáveis pela indústria e pelo poder público, alicerçadas na inovação tecnológica, na eficiência econômica e na preservação dos ecossistemas da plataforma continental e do talude, incluindo sua biodiversidade e produtividade;

  • fortalecer a formação de recursos humanos qualificados para exercer atividades de ensino, pesquisa, desenvolvimento e gestão da atividade pesqueira industrial no Brasil, mediante o apoio aos Programas de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da Univali (Mestrado e Doutorado) e em Aqüicultura e Pesca (Mestrado) do Instituto de Pesca APTA Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Como instituições parceiras do projeto tem-se, além das já citadas, a Pontifícia Universidad Católica de Valparaíso (Chile), por meio da Faculdade de Recursos Naturais; Escuela de Ciencias do Mar (Mestrado em Gestão de Recursos Aquáticos, área de concentração em Gestão de Pescarias e de Aqüicultura) e o Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região – SINDIPI.

Veja também:

Grupo de Estudos Pesqueiros

 

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